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Artigo • Saúde Bucomaxilofacial

Disfunção de ATM: sintomas, causas e tratamento

Fernanda Felix Ferreira — Quiropraxista 24/10/2026 8 min de leitura
Profissional avaliando a região da articulação temporomandibular de uma paciente
A avaliação clínica da articulação temporomandibular é o primeiro passo para entender a origem da dor e definir o tratamento.

Você já sentiu um estalo ao abrir a boca, dor perto do ouvido ou dificuldade para mastigar? Esses sinais podem indicar uma Disfunção Temporomandibular, conhecida pela sigla DTM — um problema que atinge a articulação responsável por conectar a mandíbula ao crânio e que afeta a vida de muitas pessoas sem que elas percebam a origem do desconforto.

O que é a articulação temporomandibular

A articulação temporomandibular (ATM) é uma das articulações mais utilizadas do corpo humano. Ela entra em ação toda vez que falamos, mastigamos, bocejamos ou engolimos. Por ser uma articulação dupla — existe uma de cada lado do rosto —, o movimento precisa acontecer de forma sincronizada. Quando esse equilíbrio se perde, seja por tensão muscular, desgaste ou hábitos inadequados, surgem os sintomas da disfunção.

Sintomas que merecem atenção

A DTM pode se manifestar de formas muito diferentes de pessoa para pessoa, o que explica por que tantos casos demoram a ser identificados. Entre os sinais mais frequentes estão:

  • Dor ou sensibilidade na região da mandíbula, do rosto ou ao redor dos ouvidos;
  • Estalos, cliques ou sensação de areia ao abrir e fechar a boca;
  • Dificuldade ou limitação para abrir a boca completamente;
  • Sensação de travamento da mandíbula, como se ela "saísse do lugar";
  • Dores de cabeça frequentes, especialmente ao acordar;
  • Tensão ou dor no pescoço e nos ombros associada à tensão na face;
  • Zumbido no ouvido ou sensação de ouvido tapado sem causa aparente.

É comum que a pessoa procure primeiro um otorrino ou um neurologista por causa da dor de cabeça ou do zumbido, e só depois descubra que a origem está na articulação da mandíbula.

O que causa a disfunção

Raramente existe uma causa única. Na prática clínica, o que observamos é uma combinação de fatores que sobrecarregam a articulação ao longo do tempo. O bruxismo — o hábito de apertar ou ranger os dentes, muitas vezes durante o sono — é um dos principais vilões, pois mantém a musculatura da mastigação em contração constante. O estresse e a ansiedade potencializam esse quadro, já que aumentam a tensão muscular de forma geral.

Outros fatores frequentes incluem hábitos como roer unhas, morder objetos, mascar chiclete em excesso e apoiar o queixo na mão por longos períodos. Traumas na região, alterações na forma como os dentes se encaixam e até a postura da cabeça e do pescoço — muito comum em quem trabalha horas diante do computador ou do celular — também contribuem para o desequilíbrio da articulação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada: o profissional observa a amplitude dos movimentos da mandíbula, palpa os músculos da face e do pescoço em busca de pontos de tensão, escuta os ruídos articulares e investiga o histórico do paciente, incluindo hábitos, qualidade do sono e níveis de estresse. Em alguns casos, exames de imagem podem ser solicitados para avaliar as estruturas internas da articulação. Quanto mais cedo o quadro é identificado, mais simples tende a ser o tratamento.

Tratamento: o caminho conservador em primeiro lugar

A boa notícia é que a grande maioria dos casos de DTM responde bem ao tratamento conservador, sem necessidade de procedimentos invasivos. O plano terapêutico é montado de acordo com o perfil de cada paciente e pode combinar diferentes recursos:

  • Liberação miofascial: técnicas manuais que dissolvem pontos de tensão nos músculos da mastigação, da face e do pescoço, devolvendo flexibilidade aos tecidos;
  • Laserterapia: aplicação de laser de baixa intensidade com efeito analgésico e anti-inflamatório, que auxilia na regeneração dos tecidos da articulação;
  • Eletroterapia: correntes elétricas terapêuticas que relaxam a musculatura e reduzem a dor, preparando a região para o trabalho manual;
  • Auriculoterapia: estímulo de pontos específicos na orelha que ajudam a modular a dor e a tensão, sendo uma aliada especialmente nos casos ligados ao estresse;
  • Orientações e exercícios: alongamentos, exercícios de coordenação da mandíbula e mudanças de hábitos que sustentam o resultado entre as sessões.

Além das sessões, pequenas mudanças no dia a dia fazem grande diferença: evitar alimentos muito duros durante as crises, não apoiar o queixo na mão, cuidar da postura ao usar o celular e encontrar formas de gerenciar o estresse.

Quando procurar ajuda

Se os sintomas aparecem com frequência, se a dor interfere na alimentação ou no sono, ou se a mandíbula já travou alguma vez, é hora de buscar uma avaliação. Ignorar os sinais iniciais permite que o quadro evolua: o que começa como um estalo ocasional pode se transformar em dor constante e limitação importante dos movimentos. O tratamento precoce, além de mais simples, evita compensações que acabam sobrecarregando o pescoço e a coluna cervical.

Uma última palavra

A Disfunção de ATM é mais comum do que se imagina e tem tratamento. Na minha experiência clínica, a combinação de terapias manuais, recursos tecnológicos como o laser e a eletroterapia, e o comprometimento do paciente com as orientações em casa produz resultados consistentes. Se você se reconheceu em algum dos sintomas descritos aqui, não espere a dor piorar: uma avaliação pode ser o primeiro passo para voltar a mastigar, falar e sorrir sem desconforto.

Sente algum desses sintomas?

Agende uma avaliação no Instituto Reabilite e conheça nossos protocolos de tratamento para a Disfunção de ATM.